Diário de um louco da capital.
Escrevo
aqui e agora, algumas palavras sem demora.
Sou
louco e quero ser louco.
Sou
louco por querer um mundo sem dor.
Sou
louco por não querer o mal.
Qual capital?Do sul, do norte? Ah!... Eu não sei. Não quero
falar de onde vim ou para onde vou!Nem quero falar meu nome.
As pessoas me chamam de louco da capital, porque falo aqui,
lá. Em cima da ponte, olhando para os montes. Como diz nosso senhor.
Ergo meus olhos para os montes de onde virá o meu
socorro?Meu socorro vem de Deus!
Que coisa linda é, meu amor cantou assim certo cantor.
Mas ele cantava para uma mulher, e eu quero cantar sobre
o meu, que bate aqui dentro do meu peito por todos, nascido à semelhança do criador.
A mulher, o homem, negro, rico, homossexual, católico, índio,
branco, pobre, espírita, fraco, evangélica, imigrante.
Nesta selva de pedra ele ou ela precisam de justiça, igualdade
e amor.


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